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Consultório Poético


Rolo Compressor:
comentários sobre futebol

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    Blog

    Segunda-feira, Novembro 30, 2009

    CAPÍTULO FINAL


    O Inter fez sua parte vencendo o Sport, a outra parte é mais cara

    O blog Rolo Compressor tenta acompanhar a mudança inédita de lado da torcida gaúcha: gremistas torcem contra o Grêmio e colorados torcem pelo tricolor.

    Confira o nosso raciocínio:

    "O Grêmio vive o maior dilema de sua história.

    Agora está entre a imortalidade e a imoralidade.

    Se deixar o Flamengo vencer no próximo domingo (6/12), seus jogadores abandonarão sua masculinidade e a fama farroupilha (no retrospecto de Marcelo Rospide, são duas vitórias e um empate, a tendência seguia para o alto).

    Todo o país estará assistindo ao vexame de um dos maiores times brasileiros, capaz de se rebaixar a um conchavo. E não importa se jogarão com reservas, juniores ou dente de leite, é a estima da camisa que está na vitrine. O valor dela mais do que o preço. Ficará conhecido como o clube que entregou o campeonato. Por longo e maldito tempo. Daí pode tirar definitivamente a espada da mascote. O mosqueteiro seguirá desarmado em direção ao Juízo Final."


    11:28 AM :: Comentários:


    Sábado, Novembro 28, 2009

    DESSE JEITO
    Arte de Henri Rousseau

    Fabrício Carpinejar



    Aquela mancha diesel do sovaco, aquela gasolina pelo corpo.

    Odor concentrado, acampado nos ombros.

    Suor impossível de esconder, de quem está de pé no ônibus todo dia, de quem trabalhou desde manhãzinha e não trocou de roupa, de cor, de sol.

    Suor de engarrafamento, de janela aberta, de cabine de caminhão.

    Suor macabro, frio e quente, de espanto e insistência. Suor que secou e voltou a correr. De usar as mangas, raspar os botões, embaçar óculos.

    Suor de alardear cães de caça, própria da solidão de um foragido.

    Camisa empapada, calça já colando nas pernas.

    Suor de quem jogou futebol duas horas e ainda está pingando, com os cabelos desordeiros e a barba alerta.

    Qualquer mulher apressaria o chuveiro.

    Qualquer mulher mandaria me arrumar antes de conversar.

    Qualquer mulher abriria barreira com os braços: "Nem se aproxima".

    Qualquer mulher teria nojo, olharia de canto para não me enfrentar de frente.

    Qualquer mulher torceria o nariz e pegaria uma revista para fingir leitura enquanto espera.

    Para que me livrasse de mim, do hóspede incômodo, intruso. Que tranquilizasse primeiro a carne com sabonete e espuma, que arborizasse rapidamente o pescoço.

    Qualquer mulher, não a minha.

    Ela me enlaça quando chego. Nem me deixa explicar. Agradece que fui recebê-la assim, desajeitado, direto da rua, do compromisso.

    Atraída pelo meu cheiro como um animal em extinção.

    Aviso que vou me lavar, ela acena que não.

    Eu me desculpo dos modos, ela encaixa as pernas na minha cintura.

    Mantenho o respeito, ela confessa que gosta da brutalidade, da crueza.

    Tento afastá-la, ela xinga que não está nem aí.

    Vai me encabulando de anseios.

    Diz que é química.

    Não respira, fareja.

    Persegue cidades em mim.

    Repassa seu nariz pelo meu braço, de um lado para outro, de um lado para o outro, como quem enxágua os traços.

    Pede que eu tire as roupas, que venha para dentro. Agora.

    8:09 PM :: Comentários:


    Quinta-feira, Novembro 26, 2009

    ARTISTA DO ANO



    Recebi o 1º Prêmio Artistas Gaúchos, na categoria Literatura. O troféu foi entregue na noite de quarta (25/11), no Teatro de Arena, em Porto Alegre (RS). Mais de oitenta colegas escolheram os destaques de 2009 em cinco categorias (Artes Cênicas, Artes Plásticas, Música, Ilustração, Fotografia e Literatura).

    Os outros premiados são:

    Artista do Ano – Artes Cênicas: Zé Victor Castiel
    Artista do Ano – Música: Adriana Deffenti
    Artista do Ano – Artes Plásticas: Liana Timm
    Artista do Ano – Ilustração: Jotapê
    Artista do Ano – Fotografia: Yara Baungarten

    6:32 PM :: Comentários:

    COM A CABEÇA NA LUA
    Arte de Alfredo Volpi
    Para o amigo Marcos Terras

    Fabrício Carpinejar



    Eu encontrei minha cidade vocal: Concórdia.

    Todas as minhas vergonhas fonoaudiólogas estariam resolvidas se vivesse aqui no interior catarinense. Rua é sempre lua, arara é alala, o sotaque perdoa os tropeços da língua.

    Não sofreria censura, muito menos deboche. Metade dos traumas não produziria inconsciente. Aliás, o trauma viria a ser charme. Eu me vestiria de traumas para o baile. Seria considerado um italiano legítimo ao invés de um gringo de segunda categoria gramatical.

    Mas não é unicamente essa característica que me fascina no município de 65 mil habitantes (ainda não me contando). Saí para comprar Diazepan, a insônia da poltrona do ônibus e do avião ameaçava a tranquilidade da cama. A igreja badalou meio-dia. Cumpri pernadas por lombas e travessas e não enxergava uma loja aberta. Um silêncio de portas que destoava do alarido da fome. Luto? Protesto?

    Que nada, sesta! Até 13h30, o comércio fecha. Pontualmente. Sem recurso judicial. Não adianta parar na frente da vitrine e fazer serenata. Um minuto a mais das 12 horas e as cortinas de ferro são desenroladas. Poderia esmolar, inventar uma história inacreditável de pressa e urgência, argumentar que minhas crianças passam necessidade, esqueça, não serei convidado ao interior do estabelecimento. A sesta na cidade é inegociável. Os funcionários e gerentes vão almoçar em casa e dormir 30 minutos. O cochilo é obrigatório para manter a ordem e a paz pública. Um sinal de trânsito filial obedecido desde a auto-escola, indiscutível como respeitar a faixa do pedestre.

    É o que perseguia e não desconfiava: a sesta na rede, a sesta no sofá, a sesta no meio do expediente para não me sentir acabado de noite, para ter mais paciência com a família, para não ofender ninguém pelo estresse acumulado. Atenderia ao telefone com calma e puxaria conversa com a televisão. Quantas brigas seriam evitadas?

    O pequeno pedirá para brincar e aceitarei, o pequeno pedirá para que leia um livro e improvisarei uma bandeja de fábulas com o travesseiro. Não serei ofegante com as estrelas. Dormirei na escada-caracol do corpo da namorada, sem me indispor depois com os degraus das horas.

    Eu transbordaria gentilezas e mimos, não esqueceria o dia do aniversário dos amigos, deixaria o sábado e domingo para não descansar e aprender marcenaria, não sofreria mais com o pouco espaço aos livros, não dependeria de favores da madeira, eu mesmo armaria estantes para o resto da vida.

    Meia hora salva o casamento, mata a saudade do lar, abrevia a semana, diminui o tempo de serviço, recupera o humor.

    Meia hora e temos duas manhãs num único dia, o café da tarde recupera o sentido, a preocupação enfrentará resistências, não colocaremos a mãe ou o pai num asilo, não demitiremos amigos por justa causa, maridos e esposas dispensarão os amantes, os motéis ficarão mais baratos, os gramados estarão cortados, os filhos farão a lição antes da cobrança.

    A sesta é sindical. É o remédio que procurava. Para não mais me vendar com a tarja preta.

    1:43 PM :: Comentários:

    OSÓRIO
    Arte de Rodrigo Rosa

    27/11 (sexta-feira), 18h
    24ª Feria do Livro de Osório (RS)

    Encontro e Bate-Papo
    Obra recomendada: Filhote de Cruz Credo (Girafinha)
    Local: Palco da Feira
    Largo dos Estudantes
    Informações: (51) 3601 2179

    1:35 PM :: Comentários:


    Quarta-feira, Novembro 25, 2009

    O GARFO DELA, A MINHA COLHER
    Arte de Osvalter

    Fabrício Carpinejar



    No almoço, fico muito irritado quando alguém complementa meu prato com sobras do seu.

    Selecionei as cores, dividi as porções, entrei em dúvida, tentei compor um estilo, eu me dediquei a abrir as tampas e fumegar desejos. Não foi aleatório, corresponde a um empenho pessoal, a um gosto do momento.

    A demora não é dúvida, é paixão. Escolho a comida pelo perfume.

    Mas minha namorada pensa que como pouco, não compenso o esforço do meu dia, que sonego vitaminas, que não tenho condições de seguir uma alimentação balanceada. E sempre inventa de me doar um pedaço de carne. Acho que ela já pega um a mais aguardando para levantar a ponte do rio Guaíba.

    No final da refeição, surge o guindaste de seu garfo arremessando um bife. E um bife coberto de arroz, brócolis e suflê de queijo que ela estava comendo. Um bife com o passado recente de sua mastigação.

    - Come um pouco mais, não custa nada.

    Ela não pergunta se quero. Desova o morto no meio da louça. Um suicídio bovino. Pum. Lá estou com o tartarugaço emperrando a conclusão da fome e agora condenado a defender por dez minutos que não é educação, não há realmente interesse em devorá-lo.

    Para ser honesto, às vezes ela me pergunta, mas depois de lançá-lo ao meu território. Como não sei me cuidar, é sua crença, não devo reagir. Representa uma questão prioritária de saúde.

    Guardo a convicção que o existencialismo foi criado na hora em que Sartre recusou o foie gras repassado por Simone de Beauvoir.

    Complicado explicar que minha magreza não é de ruim, é do bem. Apesar de ser chamado de panqueca na infância, me vejo elegante como uma esfiha.

    Aquilo me tira do sério. Meus pais e irmãos faziam a mesma transferência na infância. Tenho jeito de Banco de Alimentos. Eu nunca conseguia finalizar pelas caçambas derramadas dos meus vizinhos.

    A raiva me dá razão e não me permite enxergar o quanto também sou desagradável. Conviver consigo muito tempo não é saudável. Recomendáveis cogumelos alucinógenos na adolescência ou férias de personalidade com os filhos. Eu me perdoo com mais facilidade do que desculpo os outros. Ou me vingo nos outros o que não perdoo em mim.

    Uma de minhas fantasias românticas consiste em servir morango, chocolate, sorvete na boca da namorada. Fondue, então, é perfeito para atiçar sua língua, vê-la morder os lábios, limpar com beijo a calda em seu rosto. Já estou excitado em lembrar.

    Durante onze meses, exercitava meu trapézio erótico, encaixando iguarias e frutas em seus dentes e aproximando as pálpebras de sua garganta como uma endoscopia (vale um estudo a excêntrica mania de espiar onde a comida vai pousar).

    Nem reparava suas sobrancelhas assustadas. Imitava os vídeos dos canais pornôs e das propagandas de motel. Confiava inteiramente que agradava.

    Descobri na última sessão de colheradas que ela odeia que coloquem comida em sua boca. O garfo que reclamava dela é a minha colher. Acha que a trato como um bebê.

    Escuta por dentro o “olhe o aviãozinho” de sua mãe.

    Não sobrevivi ao acidente aéreo. Ainda estou me procurando no oceano de seus olhos.


    Coluna no site Vida Breve

    7:23 AM :: Comentários:


    Terça-feira, Novembro 24, 2009

    OS PONTEIROS ESTÃO LOUCOS
    Arte de Joan Brossa



    Rolo Compressor analisa a fase final do Brasileirão.

    "Não diria que é um campeonato, mas um balde de caranguejos."

    "O curioso é que ninguém mais joga dependendo de si, somente o São Paulo. Vinte times fofoqueiros, interessados na vida do outro. O desempenho é transparente, não surgiu esquadra com 60% de aproveitamento. O campeão terá menos do que a média escolar."

    Além da cor local e sanguinolenta, o site ganha um correspondente internacional. De Paris, o psicólogo gaúcho Manoel Madeira faz um ensaio sobre a polêmica mão de Thierry Henry, que tirou a Irlanda da Copa do Mundo e classificou a França.

    Espie!

    9:43 PM :: Comentários:


    Segunda-feira, Novembro 23, 2009

    CONCÓRDIA



    7:04 PM :: Comentários:

    POR QUE ELE DESAPARECEU?



    Oportunismo ou falta de condições financeiras? Entenda angústia de uma apaixonada, desconfiada do sumiço de seu namorado.

    Depois de uma longa férias, Consultório Poético reabre o e-mail. Leia minha resposta e opine.

    "Acreditamos no improvável antes de acreditar no mais óbvio. Não queremos acreditar naquilo que acena em nosso rosto, preferimos buscar desculpas mais longe para não enterrar a paixão."

    12:02 PM :: Comentários:


    Sexta-feira, Novembro 20, 2009

    CADEIRA DE BALANÇO NO LUGAR DO DIVÃ
    Arte de Maurice Dennis

    Fabrício Carpinejar



    Certos amigos e amigas já usaram esse recurso cênico para explicar uma carência ou pontuar uma tristeza ancestral:

    - É que não fui amamentado quando nasci.

    Não suporto manha de mercado, muito menos crise infantil na meia-idade. Minha vontade é buscar um litro de leite e derramar num prato de sopa.

    - Toma, toma até o fim!

    Criança gosta de drama, adulto gosta de transformar o drama em trauma. É sempre uma desculpa lá atrás para fundamentar uma preguiça e esclarecer um vício.

    As sutilezas, os detalhes, a normalidade, a rotina são esquecidos. Buscamos somente o estilete no estojo de madeira de nossa infância. Aquilo que corta. Deixamos os lápis coloridos sem nenhum uso. E olha que estavam apontados na última vez que os vi, em novembro de 1984. Psicologizamos em demasiado a memória, a ponto de somente lembrar o que tem impacto. Nossas dores nos tornam reacionários. O verdadeiro revolucionário é o que ultrapassa sua dor e mexe na alegria.

    Tanto que não entendo como os terapeutas continuam usando o mesmo mobiliário de Freud: o divã, o abajur, a escrivaninha, a estante com livros. Igualzinho ao escritório do médico austríaco do princípio do século passado. Não há um decorador na psicologia?

    Velho por velho, por que não colocar uma cadeira de balanço?

    Não troco a cadeira de balanço pelo divã. Com o ritmo e o balanço, falarei bem mais do que deitado.

    Cadeira de balanço é feita para amamentação. Minha mãe me acolheu em seu trançado de vime. Guardo até hoje em minha casa. Serviu aos meus filhos, servirá aos meus netos. Adequada para cólicas e para os choros. Deveria ser enquadrada como um brinquedo, constar na praça ao lado do gira-gira e do escorregador. Tem um andamento precioso de charrete. Criança não dorme mais fácil no carro? Cadeira de balanço é movimento enternecido, um pedalinho dos ventos.

    Mas voltando ao início: o que me irrita na lamúria de quem não foi amamentado é que ninguém evoca a mãe.

    A mãe é apagada dos problemas. Desculpa, a mãe torna-se o problema. É ela é que não amamentou. Parece que fez de propósito, careceu de vontade, de ânimo, de persistência.
    Nas campanhas de saúde e prevenção, escuta-se a obrigatoriedade de dar o leite para seu filho.

    É claro que toda mãe quer. Algumas não podem.

    E quem pensa nelas? São menos mães?

    A maternidade sofre nos meses iniciais em seguida ao parto. Recebe nas costas uma pressão social maior do que o casamento e o baile de debutantes juntos. Depois de superar a apreensão se a criança nascerá bem, arca com a ansiedade do primeiro aleitamento. Subirá leite? Terá condições de alimentar o bebê? Ela é normal?

    Ao fracassar, é como se a criança a recusasse. Uma frustração seca. Sem raízes.

    Na falta de leite materno, ofereça o colo para sua mãe. É ela que precisa.


    Publicado na minha coluna "Primeiras Intenções"
    Revista Crescer, São Paulo, P. 52, Número 192, Novembro de 2009


    4:56 PM :: Comentários:


    Quarta-feira, Novembro 18, 2009

    MACHEZA
    Arte de Osvalter

    Fabrício Carpinejar



    Eu tinha um grande problema na escola para demonstrar a minha masculinidade.

    Muitos colegas insinuavam que eu era uma menina. A merendeira rosa, herdada da irmã, agravou as evidências.

    Não fazia nenhuma porquice. Guri mesmo mostrava bafo e não o escondia com as mãos. Guri bom se sujava, voltava do recreio suado do futebol e não se envergonhava. Retirava tatu do nariz, escandalizava as professoras revirando as pálpebras, promovia cusparadas do alto do muro em direção à rua, segurava o saco para impor autoridade.

    E eu, aristocrata do guardanapo de papel, de camisa branca engomada, seguia à risca o pedido materno de obedecer e ser educado. Pedia passagem às cortinas e agradecia a luz das janelas. Gentil até para pisar na grama. Não me familiarizava com a transgressão.

    Vivia próximo do quadro-negro — e só dele. Não tinha aceitação. Tratado como um esquisito, uma criança afeminada, que ora despertava compaixão, ora gerava escárnio. A vergonha ainda enchia de blush a minha cara para piorar a situação.

    Até fingia algum desleixo e diminuir a cobrança. Forçava grosserias. Mas não conseguia superar a prova de fogo da virilidade: arrotar.

    Eu me censurava no sangue. Não sou de uma família que gritava saúde quando escapava o incômodo relincho, os pais penalizavam com “que nojo”, “cadê os modos?”.

    Fracassava miados. Juro que tentei. Gravava fitas-cassete para ensaiar. Não havia jeito: engolia ar, que se dispersava nas palavras. Soltava unicamente brisa, sopro cálido, resmungo. Não ressurgia com nenhum estrondo. Nenhum barulho vulcânico como os estudantes de minha classe. Produzia no máximo um humilhante soluço. A garganta deveria ter algum furo. Uma infiltração de cordas. Minha asma, acredito, enfraquecia a subida.

    Com custo e dor, estapeava o peito, comprimia a barriga, dobrava as pernas, e nada.

    Não cuspia nem pólvora, muito menos o fogo. Os piás reuniam-se no campinho para fazer concurso de arroto. Alegre arruaça, com edições mensais e fama eterna. Eles roncavam, eu ronronava. Compravam uma coca-cola litrão e começavam as apresentações. As meninas aplaudiam os gladiadores da voz. Cada um tinha direito a um solo, a matar o leão no grito. Dois minutos depois de ingerir o gás, lançavam arrotos indescritíveis, letais, mais audíveis que a sineta. Não se esforçavam, transparecia como um movimento natural, assim como bocejar na hora da preguiça. Parecia que o pulmão saltava junto. Eram tenores do arroto. Um espetáculo altissonante de chiados e rancores.

    No momento em que chegava a minha vez, alegava que não estava com sede e vontade. Todos me mandavam brincar de boneca.

    “Vá lá com suas barbies!”

    Pena que nunca participei de disputa de choro. Talvez a poesia seja exatamente isso.


    Coluna no site Vida Breve

    7:46 AM :: Comentários:


    Terça-feira, Novembro 17, 2009

    DO TWITTER PARA OS LIVROS
    Fabrício Carpinejar lança livros com pensamentos retirados do seu Twitter; vida a dois está entre os temas

    Vinicius Aguiari



    Se escritores fossem jogadores de futebol, Fabricio Carpinejar, 37, preferiria estar no time do futebol de salão. “Nasci para a quadra: passes curtos, atenção extrema e uma partida que pode ser decidida em segundos.” É com essa comparação que ele define a concisão dos pensamentos, frases e aforismos publicados em seu Twitter e que, agora, acabam de originar o livro www.twitter.com/carpinejar (editora Bertrand Brasil).

    Com cerca de 9.000 seguidores, Carpinejar publica em seu perfil considerações sobre o dia a dia, relacionamentos, vida sexual, crises conjugais, entre outros, sempre com no máximo 140 caracteres. “Homem que discute o relacionamento quando sua mulher pede satisfação não entendeu o recado”, diz um deles. No total, o livro traz 416 “twittadas”.

    “O Twitter não é para preguiçosos. Ao contrário do que se imagina, é para quem têm condicionamento intelectual e consegue tensionar o pensamento em pequenas frases”, diz o escritor, que venceu o Prêmio Jabuti de Literatura em 2009 na categoria Contos e Crônicas com Canalha!.

    “Não esperava, foi um assombro. Contentamento de piá que ganha finalmente o cachorro prometido na infância. Dedico-o aos meus pais [os escritores Carlos Nejar e Maria Carpi]. Foi uma espera de 50 anos da família”, completa ele.

    ESPECIALISTA DA VIDA ALHEIA

    Antes do perfil no Twitter, esse gaúcho natural de Caxias do Sul já mantinha um blog, onde publica pequenos contos, poemas e crônicas, sempre recheados de memórias e observações.

    Porém, o grande “hit” de Carpinejar na web é o Consultório Poético, onde ele responde a dúvidas amorosas enviadas pelos leitores. “Recebo cerca de trinta e-mails por semana, com vários dilemas, desde namorada que abomina a fissura do companheiro por filmes eróticos até homem que acabou traído e não consegue se despedir da mulher”, conta.

    Os comentários também costumam ser como as discussões de casais, alguns mais sutis, outros mais exaltados. “Os leitores brigam entre si, colocam seus pontos de vista, admitem falhas, assumem erros, contestam opiniões. É uma tribuna do desejo livre.Não apago comentários. Quando aparecem laranjas para me xingar, faço um bom suco.”

    Por último, o escritor não se deixa abalar por uma possível morte da literatura provocada pela internet. “O blog é o jornal da maioria dos adolescentes. Eles leem textos com a mesma assiduidade dos assinantes da imprensa. Acompanham os textos na rede, os autores, adicionam como marcadores e prediletos, mas não deixam de comprar o livro, para riscar, sublinhar e dar de presente”, diz. “A nudez das revistas e das novelas não diminuiu a nudez da vida real, só aumentou. Portanto, A internet acelerou a fome nas livrarias”, completa esse escritor especialista em analisar a vida alheia.

    Publicado no jornal AGORA SÃO PAULO, E- 12
    São Paulo (SP), 16/11/2009


    11:45 PM :: Comentários:

    NOTÍCIA E ENTREVISTA

    CRÔNICA NO PALCO

    O escritor Fabrício Carpinejar está no novo show de Ana Carolina. Sua crônica Toda Manhã, do livro O Amor Esquece de Começar, é interpretada ao vivo pela cantora e compositora no espetáculo de lançamento do CD Nove – que chega a Porto Alegre amanhã, no Teatro do Sesi.

    Publicado no jornal Zero Hora, Segundo Caderno
    Contracapa, Roger Lerina
    Porto Alegre (RS), 17/11/09, Edição N° 16158


    TVE



    Entrevista dada a Morgana Kretzmann
    Papo de Camarim, Estação Cultura, TVE/RS


    11:39 PM :: Comentários:


    Domingo, Novembro 15, 2009

    PRATINHO DO VASO
    Arte de Marc Chagall

    Fabrício Carpinejar



    Fui numa floricultura comprar pratinhos de vasos.

    Três pratos. De diferentes cores, de azulejo e barro.

    O vendedor me considerou excêntrico pela modéstia do apelo. Procurou enfiar orquídeas olheira abaixo, recusei os arranjos coloridos. Como uma abelha que não larga a lâmpada pela obsessão do sol. Logo me dispensou para o caixa, viu de cara que não tinha potencial aquisitivo. Ele apressou a interrogação do "só isso" e logo fechou a encomenda.

    Estamos tão consumistas que nos desculpamos por comprar pouco (ou nada). Imagina o atendente perder tempo com a gente? Gentileza hoje é comissão. Idêntica culpa diante do motorista de táxi com a corrida curta. Quase suplicamos por favor, se ele pode nos levar. Não há mais pobreza genuína no mundo, unicamente pobreza disfarçada. O cartão de crédito fantasiou a miséria.

    Não receio pedir pouco. O pouco é que me basta. O pouquíssimo transborda.

    Eu me sinto essencial lembrando o desnecessário. Ouvindo o suspiro dentro do vento.

    Ninguém dá valor ao pratinho das plantas que racha na mudança de lugar e não é reparado, muito menos reposto. Eu não vivo sem eles. É como faltar talheres para um membro da família.

    É o pratinho de vaso que me mantém acordado. Deslumbrado pela sua fugacidade. Porque amanhã terei que me lembrar novamente. E depois da amanhã. E sempre.

    O amor é o que não lembramos para continuar lembrando. Como pedir ao filho escovar os dentes ou insistir que faça os temas. Todo dia será exaustivamente igual: é uma atenção renovada, não exclusiva. Uma dedicação nula. Uma devoção secreta que não traz fama e reconhecimento. Coisas simples que não podem ser contadas ou glorificadas durante a semana. Que são apagadas no mesmo momento do ato. Não irei ao bar proclamar aos colegas de que dobrei as calças antes de sair e organizei as camisas pela antiguidade.

    É o que me põe apaixonado numa mulher: o pratinho do vaso. O que é sem graça, o que somente protege, mas que é confidente das raízes. O quanto ela é capaz de estar ao seu lado sem que necessite imortalidade. O quanto me torno observador das inutilidades. Falei inutilidades, pois é, não errei a digitação, quem ama conserva as inutilidades. Os interesseiros e ambiciosos guardarão as informações essenciais como nascimento e medidas. Veja se um homem a quer quando se interessa porque aquilo que não gera interesse. O fútil é o fundamental. No momento em que o desejo não descobre o que é importante e preserva tudo.

    O pratinho do vaso do relacionamento está em saber o xampu que ela usa, o restaurante preferido, o doce da infância, sua mania de comer aipim com mel, o azeite (não é qualquer um), as perguntas que detesta ouvir, como ela gosta de amassar o travesseiro, de que modo escolhe as roupas: se nua ou já com a lingerie, quais os insetos que tem medo, o que não pode deixar de assistir na tevê, o drinque preferido, os amigos da choradeira, os amigos do riso, o que toma no café da manhã, qual a fruteira de sua confiança.

    O pratinho do vaso é o que fica da tempestade. Não tinha como explicar ao vendedor. Ele é que conhece as flores.

    12:51 AM :: Comentários:


    Quinta-feira, Novembro 12, 2009

    IRAJI RESPONDE (E DESCUBRO QUE É IRAGÍ)
    Foto de Iragí com seu filho Guilherme



    "Boa tarde!

    As verdadeiras amizades são assim: você acha que termina mas quando são verdadeiras, elas voltam, às vezes mais fortes do que antes. O primeiro tijolinho foi posto lá na quadra de areão, depois de concreto do Leopoldina.

    Sempre fui colorado. Porém, aquela camisa do Inter que uma vez você me deu, lembro até hoje. Na época o número na camisa era costurado, o 8, é claro do Príncipe Jajá, como era chamado o Jair.

    Nossa amizade nunca foi esquecida, infância com dificuldades, tudo bem, meus kichutes driblavam com maestria tudo isso.

    A felicidade era encontrar todos os dias, você, meu amigo CABELUDO, loiro cabeludo, ou meu parceiro Careca do Nápoli do Leopoldina.

    Esperar sim, por que não? Para nascermos, demoramos 9 meses. A minha espera demorou. Mas fui notado, homenageado na página 2 da Zero Hora. Pelo amigo, acreditem senhores, bom de bola. Acreditem, bom de bola. Quando as amizades realmente são de coração, esperar não cansa. Tarda para aumentar a saudade.

    Deixo aqui um grande abraço para meu amigo que lembro com carinho, e admiração, pelos momentos vividos na minha infância.

    Obrigado, Fabrício.

    abraços
    Iragi ou Maradona (rsrsrs)"


    9:15 PM :: Comentários:

    IRAJI
    Arte de Andrew Wyeth

    Fabrício Carpinejar



    Quando entrei na escola, meu amigo inseparável era o Iraji. Eu tinha certeza de que ele seria jogador de futebol. Barbarizava os meninos das 4ª e 5ª séries com balãozinho, janelinha e meia-lua.

    Cabelos cacheados, baixinho, franzino: tímido fora de campo, destemido com a bola. Tonteava os adversários com ioiô e elástico. Produziu os lances mais bonitos e plásticos da cancha de concreto da Escola Imperatriz Leopoldina. Como companheiro de ataque, ele me tornou melhor do que realmente sou. Algo como Careca ao lado do Maradona no Nápoli.

    A turma o reverenciava como Negrinho do Pastoreio, um capoeirista do meio-campo. Ainda recordo do cheiro do seu uniforme, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com manteiga.

    Conhecia seu percurso. Nossa aula começava às 13h30min, mas ele estava na esquina às 11h30min, sentado no muro do outro lado da calçada (visionário, antecipou em uma década a necessidade de um guardinha de rua).

    Eu o enxergava antecipado no horário e o convidava para almoçar. Antes convencia minha mãe, dobrava sua angústia com imprevistos. Ele rebatia que não, que estava satisfeito. Deixava o colega paradinho em seu posto de observação, com a mochila encardida debaixo do braço. Voltava em seguida e perguntava se ele não queria apenas beliscar alguma coisa. Ele aceitava e comia dois pratos.

    Dia a dia, repetíamos a cena. Reproduzíamos a igual negociação sem tirar nem pôr. Ele chegava antes, eu convidava, não aceitava, reconvidava e vinha louco de apetite. Não quis constrangê-lo com a mudança de costume, ele tampouco fez questão de assumir um lugar fixo na mesa.

    Nossa convivência durou até que ele rodou de ano. Depois, foi desaparecendo para aquilo que acreditava que seria o sucesso, já que um olheiro passou na escola para vê-lo atuar e ficou assombrado. Saiu do colégio na 5ª série para atuar no infantil do Inter e estudar no contraturno.

    A vida e o kichute viviam amarrados em suas canelas.

    Na despedida, dei uma camisa do colorado. Ele me abraçou fervorosamente, ainda recordo do cheiro, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com geleia. Prometeu que faria o primeiro gol profissional para mim. Eu me guardei na expectativa.

    Iraji, Iraji...

    Nunca tinha visto alguém vocacionado ao futebol daquele jeito. Conseguia embaixadinha com pedras, pinhas e laranjas. Cabeceava bolinhas de tênis com precisão. Seu toque de calcanhar encobria o goleiro.

    Cresci, amadureci, formei família, e não o reencontrei no estádio ou na rua.

    Tive notícia de que fraturou a perna numa dividida na categoria de base e não pôde continuar no clube. Logo ele, que depositou sua escolaridade no esporte.

    Não digeri as fintas do destino, a crueldade com seu talento.

    Depois tive notícia de que trabalhava como porteiro no bairro Sarandi.

    E descubro que, desde a infância, sua verdadeira profissão é esperar, como a de todos nós. Ele continua me esperando. Continua esperando ser chamado, notado, percebido, amado.

    Agora dentro de um prédio.

    Ponho mais um prato na mesa, vá que ele mude de ideia e sinta fome da minha amizade.

    Publicado no jornal Zero Hora
    Porto Alegre (RS), Edição N° 16153, p. 2
    12 de novembro de 2009

    8:12 AM :: Comentários:


    Quarta-feira, Novembro 11, 2009

    QUINZE MINUTOS DE VERDADE
    Arte de Osvalter

    Fabrício Carpinejar



    O sexo é uma verdade privada que se torna mentira pública.

    Na hora de fazer, a franqueza. Na hora de contar, a distorção.

    Há um mito de que qualquer transa atravessa a madrugada. Não conheço guepardo, mas somente maratonista na cama. Ejaculação precoce é o de menos, o domínio é da ejaculação retardada. Não há um amigo que diga que transou quinze minutos. Nunca. São sempre horas e horas de carícias e afagos e preliminares.

    Ou todos usam Viagra ou todos mentem.

    Não sei se o brasileiro é o melhor amante. Não existe como saber. A única pesquisa de opinião confiável é a feita com Deus após a morte e, até agora, não foram anunciados os resultados. Não há boca-de-urna confiável da intimidade.

    Corre sempre o boato de que o prazer se estende ao canto do galo. Eu olho para a cara dos meus colegas e não enxergo nenhuma olheira, nenhuma fraqueza de manhã. São sobrenaturais. Passam a noite fogosamente, não dormem e ainda acordam sem efeitos colaterais do cansaço. Alguma coisa está errada em mim.

    Pior que fingir orgasmo é fingir que o orgasmo dura a noite inteira.

    Onde anda a modéstia da nudez? A humildade do amor?

    O bocejo, por exemplo, é tão romântico, mas é visto como um sinal de agouro e de tédio. Se alguém vacila, logo se pune e engole uma lata de Red Bull. Abafamos a sedução da preguiça. Uma pena; ao bocejar, o corpo se estica e se entrega como num ato erótico. Nada é mais excitante do que estar desarmado, com o rosto limpo, honesto e real.

    O sexo precisa de mais religião. Pode parecer blasfêmia, mas pede mais religião e menos academia de ginástica. Sexo virou desempenho. É uma atividade muscular, ao lado do cross over e leg press. Uma demonstração de fôlego. Uma competição de quem aguenta mais. De quem pode mais. Uma rivalidade de bíceps e seios. Estamos mais preocupados com a posição do que com o prazer do outro. Os joelhos e braços são anilhas encaixadas nas barras.

    Esquecemos de que o sexo pode ser curto no tempo e intenso na entrega. Já é suficiente meia hora, desde que vivida com a disposição dos detalhes, desde que a respiração seja saboreada e a pálpebra se feche para deixar o lábio enxergar sozinho.

    Parece que sexo exige insônia, exaustão física, tortura, infarto. Eu quero viver pelo sexo, não morrer dele.

    A noite de núpcias é a mesma conversa fiada. Os convidados e os padrinhos farão insinuações aos casados durante a festa: “Hoje é o dia, hein?” Mas no quarto a verdade será sonolenta. Ao invés de gemidos, roncos.

    Depois do casamento, da recepção, da comilança, da arruaça até a luz do sol chegar, das danças e das despedidas dos hábitos de solteiro, como é que o casal vai transar? É desumano. Ou porque os dois estarão embriagados ou porque não se mantêm em pé. O máximo que dá para fazer é uma declaração de intenções.

    — Ai, amor, eu queria tanto comemorar.

    — Eu também, temos uma vida pela frente.

    — Não ficará chateada?

    — Claro que não, eu desejava…

    — Zzzzzzzzzz.

    E ambos entendem que mentir não é tão bom quanto dormir de conchinha.


    Coluna no site Vida Breve

    8:51 AM :: Comentários:

    POETAS

    Diana Corso



    Faz tempo que Mario Quintana não nos visita. Jamais me ocorreu que o faria “twittando”. O twitter é uma rede de pessoas, ligadas pelos seus celulares e ou computadores que trocam mensagens de até 140 caracteres. Para tornarem-se “seguidores” uns dos outros, os usuários do twitter se inscrevem uns com os outros, se “seguem”, para usar a terminologia deles. A pergunta que aparece antes do campo onde escrevemos a mensagem que será enviada a nossos seguidores é: o que você está fazendo agora? No começo e ainda em grande número, as respostas foram literalmente banais: “Estou curtindo uma gripe”, “Cheio de trabalho” ou “Indo encontrar minha linda namorada”, isso entre recomendações ou críticas de eventos culturais, locais de lazer, restaurantes e produtos variados.

    Óbvio que o twitter virou o fofocódromo prioritário, nunca a divulgação de algo se espalhou tão rápido. Fora isso, em momentos políticos graves, é uma forma incontrolável de divulgação do que quer ser ocultar. Os recentes protestos no Irã foram organizados por twitter.



    Fabrício Carpinejar tomou a chatice do dispositivo do twitter de assalto combatendo-a com poesia, humor e irreverência. Para provar que em comunicação nada se perde, tudo se compartilha, as mensagens que ele foi divulgando ao longo de alguns meses estão compiladas em forma de livro: www.twitter.com/carpinejar (Editora Bertrand Brasil). Acessível para estrangeiros digitais ou, como eu, amantes do papel.

    Embora também escreva crônicas, Carpinejar, como Quintana, sempre foi poeta, e ambos grandes frasistas. Conhecendo-o pessoalmente sei que ele é essas duas coisas, pois não existe banalidade da qual ele não extraia uma tirada e compartilhe com os próximos. Para nossa sorte, Fabrício vaza poesia: “Eu me inundo por bem pouco”; “Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta”; “Não quero alma gêmea, isso é incesto”; “Quando morto, não venha cobrir minha cabeça com lençol. Desejo jornal sobre o rosto, morrer bem informado”; “Madrugada em claro não traz clareza”; “O tédio é uma tristeza que não sonha”. No twitter apenas ele aumenta o alcance disso que já fazia.

    A ninguém interessa se eu, você, ou outros mortais vamos dormir, é insignificante. Tampouco importa o que Carpinejar vai fazer. Mas depois que ele escreveu que “Arrumar a cama é preparar um envelope para nos guardar”, tenho menos medo da insônia. Vai ver que poesia é isso, upgrade da vida cotidiana, transcrição das catacumbas pessoais, legibilidade do indigesto. Com Carpinejar, esvazio as saudades de Quintana.

    Publicado no jornal Zero Hora
    Segundo Caderno
    Porto Alegre (RS), Edição N° 16152, p. 6,
    11 de novembro de 2009


    8:47 AM :: Comentários:


    Domingo, Novembro 08, 2009

    DUAS ENTREVISTAS

    A REINVENÇÃO DO AFORISMO
    Foto de Edilson Rodrigues



    Carlos Marcelo
    carlosmarcelo.df@dabr.com.br

    Para Fabrício Carpinejar (foto), tudo cabe em 140 caracteres – menos propaganda eleitoral. Inicialmente resistente ao Twitter, o poeta gaúcho aderiu e não se arrependeu. “Percebi que 140 caracteres são suficientes para sangrar”, afirma. E ele sangra em público, revisitando temas que o assombram e o inspiram: infância, paixão, suicídio, loucura, desordens do cotidiano amoroso e familiar. “Se eu perdi a razão, como vou reencontrá-la?”, inquire. O resultado de suas inquietações pulverizadas na internet está condensado no recém-lançado www.twitter.com/carpinejar (Bertrand Brasil, 84 páginas), “o primeiro livro feito no Twitter no mundo, até que se prove o contrário”. Frases cortantes, frases adocicadas, frases de efeito, frases defeituosas. Faces múltiplas de um grande frasista contemporâneo, que sabe como poucos utilizar o idioma como performance. Eis o que pensa Carpinejar, o homem que diz não ter certeza se Twitter é literatura, “mas é ótimo para treinar epitáfios”.

    No seu caso, o Twitter é a renovação do aforismo?
    CARPINEJAR: Acredito que renova o aforismo. Perfeito ao desarmamento ideológico, preparar cama de gato aos preconceitos, conciliar malícia e lirismo, surpreender com a autocrítica. Quem teve uma vida longa e intensa não precisará de muito espaço na lápide para se justificar. Falamos demais quando queremos pedir desculpa. A culpa é verborrágica. A síntese é libertadora. Com um assobio, já lembramos da letra.

    A fragmentação incomoda ou seduz?
    CARPINEJAR: A fragmentação que é preguiça me incomoda. Gosto de ser inteiro no fragmento. Da coesão do detalhe. Da densidade que existe na simplicidade. Com um verso, podemos recuperar a vontade de sair de casa. O verso é minha tatuagem no sangue.

    Quem são os grandes twitteiros da literatura?
    CARPINEJAR: Millôr é um twitteiro fabuloso. Ele é o profeta da ferramenta, corre pelas águas de Copacabana. Não é por nada que ele é o autor da Bíblia do caos. Mário Quintana iria barbarizar com seu Caderno H. Assim como Caio Fernando Abreu, que faria bilhetes enternecidos aos amigos. Clarice Lispector sugaria todo o inconsciente coletivo em suas frases cortantes, epifânicas. Guimarães Rosa montaria um zoo de neologismos. Mario de Andrade teria sua correspondência reduzida pela metade. E ainda seguiria Nelson Rodrigues, Paulo Francis, Antonio Maria.

    Brasília em 140 caracteres?
    CARPINEJAR: Cidade de escrita transparente. O vidro também pode ser pichado pela luz.

    ALGUMAS PÉROLAS:

    "O pecado não me constrange, o que me constrange é explicá-lo”

    “Literatura é educar para o avesso. Quando educa para o conhecido, já é sermão”

    “Tire também a roupa de suas palavras”

    “O poema é uma profecia fracassada: valoriza o que não aconteceu”

    “O tédio é uma tristeza que não sonha”

    “O Twitter é um torpedo que a gente manda a si mesmo. E vai respondendo”

    Publicado no Correio Braziliense, caderno Pensar, p. 2
    L2 - Livros & leituras
    Brasília, 07 de novembro de 2009


    A ESCRITA DESDE OS BASTIDORES
    Foto Emerson Souza

    Lúcia Ritzel

    O ano de 2009 tem sido especialmente fértil para os três finalistas da categoria Personalidade do Prêmio Fato Literário. João Gilberto Noll, 63 anos, com seu livro mais recente, Acenos e Afagos, é um dos 10 finalistas do cobiçado Prêmio Portugal Telecom. O porto-alegrense Altair Martins, 34 anos, este ano venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Primeiro Romance com A Parede no Escuro. E o poeta e jornalista Fabrício Carpinejar, 37 anos, acaba de receber seu primeiro Jabuti. Sua coletânea de crônicas Canalha! venceu na categoria melhor livro de Conto/Crônica de 2009. Para esta edição do Cultura, os três responderam a cinco perguntas sobre como enxergam o futuro da palavra e de quem escolheu o ofício de fazer literatura. O júri oficial deste 7º Fato Literário votou na última quinta-feira. O público tem até 12 de novembro para votar. Os vencedores serão conhecidos no encerramento da Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 15. Vote aqui.



    1. Como é fazer literatura, o reino da profundidade, numa época na qual impera a superficialidade?
    CARPINEJAR: A impaciência é a pior superficialidade. Tudo o que é feito com atenção gera cuidado, ternura. A paciência resulta em criatividade. Posso garantir. Quando uma criança não entende, não adianta castigá-la. O castigo é cômodo para os pais, trata-se de uma saída mais fácil, porque estão atrasados em seus trabalhos e não desfrutam de disponibilidade para ensiná-la. Procure outra forma de mostrar. Literatura é não falar de qualquer modo. É perseguir dentro das palavras o melhor som, o melhor sentido. É ilustrar a vida com histórias, é lustrar as histórias com nossa vida.

    Um exemplo. O filho não desistia de jogar bola no jardim da casa de sua avó. Bastava me distrair, que o encontrava arrebentando as flores com seus chutes cruzados. Meu menino não ouvia as reclamações. Achava que era implicância. Quando foi convidado a plantar rosas, armar um murinho de pedras, fincar estacas para proteger as hastes, ele não quis mais futebol naquele lugar. E não me deixa nem ameaçar embaixadinhas perto de seu canteiro... O desejo não morre se ele é explicado. Um desejo que se explica é amor.

    O medo de perder tempo sacrifica a intimidade. Literatura é perder tempo, é dar um tempo que não foi planejado, reagir a um tempo imprevisto, permitir amizades nunca imaginadas. Ou alguém sabe quando tempo demora a leitura de um livro? Pode levar um dia ou uma vida. Escrever é perder tempo para ganhar consciência do tempo.

    2. A poesia é hoje uma presença na prosa de vários autores, inclusive na sua. Essa é uma preocupação relevante para você?
    CARPINEJAR: É a minha maior preocupação. Vivemos a despersonalização. Existe uma mania de não incomodar e de agradar a todos. Há uma preferência por ser adivinhado, ao invés de expor os próprios gostos. Vejo gente engolindo seus pensamentos. Gripado das convenções sociais. Com vergonha de emitir opinião, de contar o que deseja, com receio de não ser aceito.

    Poesia é franqueza com nossas fraquezas, assumir um ponto de vista. Errar sem fingir que tentava acertar, tropeçar sem fingir que estava se agachando. Aceitar as gafes. Ter a coragem do erro. O poeta é a sinceridade da imaginação.

    Tão bonito o diálogo que a poesia alcança: ler é ouvir o pensamento, escrever é respondê-lo.

    Não troco minha ingenuidade pela certeza. A ingenuidade é curiosa, a certeza é arrogante.

    3. As novas tecnologias – o livro eletrônico é uma delas – devem provocar o surgimento de um novo perfil de leitor ou elas já são o sintoma de que o leitor mudou? Essas novas tecnologias afetarão de alguma forma a produção literária?
    CARPINEJAR: Acredito que o livro digital vai intensificar nossa nostalgia pela tinta. Não vamos abandonar o livro, há leituras que só podem ser feitas perto do sol, com cheiro de tangerina. A tela reflete demais e não nos deixa refletir. Poderei carregar uma biblioteca no e-book, mas o livro é que me carrega, ele dá a mão, pede o tato, os anéis, os calos. Quando pequeno, aprendi a me pentear virando as páginas dos livros. Agora meus cabelos estão todos nos livros.

    4. Qual é o fato literário do seu ano?
    CARPINEJAR:Vicente, sete anos, abriu um blog para falar dos animais que encontra pelos seus passeios. Mariana, 15 anos, compõe e canta. Perceber que meus filhos estão conversando comigo também pela arte deixa meus olhos sábios de janelas.

    5. O que você está lendo no momento?
    CARPINEJAR: Gostaria de falar de uma leitura amorosa, fofoqueira, a leitura paralela dos relacionamentos amorosos. Quando seu par gosta tanto de um livro, que narra detalhes dos capítulos e entra noite adentro com provocações e novas informações da leitura.

    Quem não passou por isso? O livro em questão é O Andar do Bêbado, do físico Leonard Mlodinow, que está sendo literalmente ditado em meus ouvidos pela namorada. Destaca a força do acaso em nossas vidas. Defende a seguinte tese: por mais que procuramos nos diferenciar, sempre estaremos fortalecendo uma média previsível do ano anterior.

    Publicado no jornal Zero Hora, caderno Cultura, ps. 4 e 5
    Porto Alegre (RS), 07 de novembro de 2009 | N° 16148


    7:00 PM :: Comentários:


    Sexta-feira, Novembro 06, 2009

    AUTÓGRAFOS NA FEIRA DE PORTO ALEGRE



    11:07 AM :: Comentários:

    SOBRE O LIVRO DO TWITTER

    REVISTA BRAVO!
    Almir de Freitas, 4/11/2009




    Eu não tenho dúvidas de que Carpinejar é o escritor que melhor partido tirou do Twitter para a literatura. Seus aforismos, frases de efeito e pensamentos evitam o tom judicioso, moralista e pretensioso que a cultura dos “minutos de sabedoria” vinha impondo ao mercado editorial antes do Twitter. Sobre este, Carpinejar é quase sempre preciso – como se pode conferir nos exemplos que se seguem:

    “O twitter é um orfanato. Todos os pensamentos que não tinham pai e mãe podem ser acolhidos.”

    “O twitter é o guardanapo digital.”

    “O avô do twitter é o parachoque de caminhão.”

    “Não sei se o twitter é literatura, mas é ótimo para treinar epitáfios.”


    SOBRE O LIVRO CANALHA!

    REVISTA MARIE CLAIRE
    Novembro 2009, Nº 224, p. 162, seção Pré-estreia Livros



    10:59 AM :: Comentários:


    Quinta-feira, Novembro 05, 2009

    CAMA NA MESA
    Arte de Man Ray

    Fabrício Carpinejar



    Há tudo que é teoria sobre o sexo, confio naquela que antecipa a performance masculina a partir do jeito que o marmanjo avança na comida.

    A melhor forma da mulher não se incomodar depois é convidar seu pretendente para uma simbólica e inofensiva refeição. Assim como há a tradicional reunião-almoço, é possível criar um jantar pré-sexual.

    Teste seu parceiro. É seguro, preciso e previne futuros gastos com terapeuta.

    Se o homem separa demais as comidinhas, cria cercas entre o arroz e o bife e a salada, come devagar como Gandhi, tem um pudor hospitalar com qualquer tempero, cisca o que não gosta, é nojento na escolha do cardápio, pede para trocar o copo, tem várias manias de limpeza, não estique a noite. Por favor, a primeira impressão já saiu com pouca tinta, não insista com a impressora.

    É um daqueles sujeitos que converterá o guardanapo num babador e fará um macacão se tornar um tip top. Não conseguirá se recuperar de uma mancha de molho. Sairá correndo ao banheiro e ficará comentando o azar pelo resto da noite.

    Sua atuação comprometerá, é um convite à compaixão. Ele terá medo da própria saliva, usará as posições mais confortáveis e não acreditará na combinação de sexo oral e amor. É o típico perfil de quem vai ligar no dia seguinte e conversará com sua mãe. Não confie em homem que telefona no dia seguinte.

    Até pode parecer de boa cepa e família, refinado, perfeito para campanha de detergente. Não se engane. Difícil discernir o educado do reprimido. Psicopatas também são gentis.

    Mas, caso ele faça três andares no prato, coloque o ovo em cima do arroz, o bife em cima do ovo, e encontre um espaço para a massa e a couve refogada, não hesite: seu desempenho promete passionalidade. Os talheres terão a função de andaimes do edifício. Alternará as mãos com a perícia apressada de um bárbaro. A sensação é que tira agora o atrasado de um mês. Nada é posto de lado, nenhum fiapo de carne é desperdiçado, nenhuma ervilha, mistura as porções com coragem e gula. Lembrará Alexandre, o Grande, raspando a porcelana como se conquistasse novamente o Egito e o Afeganistão.

    Observe ainda se ele deixa escorrer a gema pelo canto da boca – um requinte da espontaneidade, assim cumprirá com louvor o teste vocacional.

    Demonstrará trejeitos de insaciável. Não temerá qualquer entrega. Não vai ficar olhando onde está se deitando, nem dobrará as roupas antes de enlaçá-la nos braços. Seguirá o impulso, derrubará os obstáculos pela frente e levará o abajur pela coleira a passear pelo quarto.

    Homem bom é o que baba. A boca cheia de desejos.

    Publicado no jornal Zero Hora
    Porto Alegre (RS), Edição N° 16146, p. 2,
    5 de novembro de 2009


    9:12 AM :: Comentários:


    Quarta-feira, Novembro 04, 2009

    PARA GOSTAR DE LER DIGITAL



    Está no ar o site de crônicas Vida Breve. Cada dia da semana será tomado por uma dupla fixa de colaboradores, formada por um cronista e um ilustrador. São sete escritores e sete artistas gráficos envolvidos no projeto.

    Meu dia é quarta-feira, escoltado pelo traço visceral de Osvalter.

    Os colegas do calendário são Ana Paula Maia, Eliane Brum, Humberto Werneck, Luís Henrique Pellanda, Rogério Pereira e Tatiana Salem Levy; acompanhados dos ilustradores Felipe Rodrigues, Marco Jacobsen, Ramon Muniz, Ricardo Humberto, Simon Ducroquet e Tereza Yamashita.

    Leia minha estreia:

    (quarta-feira)

    NÃO SOU ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO
    Arte de Osvalter

    Fabrício Carpinejar



    Lustrava maçã em minha camisa antes de sair para aula. Até ficar cintilante como lâmpada de cabaré.

    Nunca fui fã de maçã, mas sempre admirei o brilho libertino das frutas.

    Ou o brilho cansado dos sapatos. Preferia sapato usado a novo. Esfregava a flanela na graxa e dava a impressão de par novo, empacotado. Dedicava uma hora para envernizá-lo com o meu toque. Alisava as bordas, imprimia o mesmo tom, limpava as solas. Engraxar o sapato me ensinou a fazer massagem. Quem é amoroso com os cadarços não será desleal com os cabelos. Quem é cuidadoso com o couro não vai vacilar com a pele.

    Na adolescência, diante da minha timidez cadavérica, passei a lustrar as palavras. O brilho do movimento; de água trocando de roupa. Escrevia cartas de amor. Se uma menina me cumprimentava, já me debruçava na tinta e na espuma ansiando pelo namoro. Guardava uma caixa numerada de cópias carbono. Fui um Casanova do amor platônico, nenhum realizado até os 15 anos.

    Confiava demais nas minhas palavras. A palavra sofria mais do que eu. Eu me importava mais pelo seu efeito do que pela sua origem. O que queria era seu reflexo no outro. Como um mentiroso que conta olhando nos olhos, para ver se pode prosseguir, para confirmar a audiência.

    Falava para antecipar, para me ocupar, para me povoar. O que valorizava era o brilho. O brilho da letra negra no papel vegetal do dicionário.

    Havia uma onipotência que não me fazia parar. Qualquer assunto, qualquer dor.

    No Ensino Médio, o colega Charles passou por uma crise nervosa. Jogou todas as roupas pela janela. Bebia em excesso, fumava em excesso, morria em excesso nas festas da turma. Pensei que a família não sabia lidar com ele. Não entendia sua cabeça de adolescente. Para nós, a loucura consistia numa aventura extravagante pelo corpo, com passagem de volta. Éramos loucos por obrigação, orgulhávamos das bebedeiras, dos desmaios, das brigas.

    Tomado do sacerdócio da fala, convidei para que fosse dormir lá em casa. Os pais aceitaram, mas me recomendaram cuidado. Virei os ombros e disse que estava acostumado, que dava conta do problema. Enfrentamos duas horas de conversa, ao som de Dire Straits. Sondava os fundos das lembranças, emparedei o amigo de curiosidades esquisitas e irrelevantes, ele narrou seus traumas, chorou e pediu para dormir. Coloquei um cobertor a mais em sua cama, como se ele fosse meu filho. Eu o salvei. Veio um contentamento curativo. Lembro de concluir que foi mais fácil do que imaginava.

    No meio da madrugada, ele salta, derrubando o abajur.

    — Tira ele de perto de mim? Tira? Ele vai me morder, gritava.

    — Quem? Quem?

    — O cachorro.

    Não havia cão em casa, ele se referia ao tapete. E arremessou o tapete no armário e abriu minhas gavetas e lançou as camisas e os livros no chão e mordeu meu braço ao segurá-lo. Indomável, com os olhos esbugalhados, caroços de cometas.

    E chorei vento, freneticamente. O choro foi rápido demais para a lágrima. Tranquei meu colega no quarto e pedi ajuda para minha mãe.

    — Eu não sei como controlar, ele enlouqueceu.

    Pela primeira vez, não usei uma expressão sem acreditar. Era loucura mesmo. Não podia curá-lo. Não tinha preparação. Não tinha estudo. Não tinha nem silêncio.

    Ao usar as palavras, elas também estavam me usando. Na infância, as maçãs é que lustravam minha camisa.

    9:38 AM :: Comentários:


    Terça-feira, Novembro 03, 2009

    ROCK

    Sem aviso prévio, o repórter Maurício Kubrusly, do programa "Me Leva Brasil", quadro do Fantástico (TV Globo), invadiu minha aula no Curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock, da Unisinos. Veja o resultado divertido, com direito a chantagem poética:



    6:04 PM :: Comentários:


    Segunda-feira, Novembro 02, 2009

    LIVRO DO TWITTER ESTÁ NAS LIVRARIAS



    Publicado no Jornal O Globo
    Caderno Megazine
    20/10/09


    9:24 PM :: Comentários:

    QUAL É O MEU SABOR?



    Deseja me comer?

    Pode passar na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Na Praça de Autógrafos, entre o Memorial do RS e o MARGS. Estarei no estande da Caixa Econômica Federal.

    Elaborei quatro textos comestíveis (dez mil unidades cada), impressos em papel arroz, para o projeto Degustação Literária:

    "Consoante", sabor chocolate.
    "Melhor assim", sabor bacon.
    "Milfolhas", sabor menta.
    "À vontade" (poema acima), sabor limão.

    9:53 AM :: Comentários:


    Domingo, Novembro 01, 2009

    DIA DA MARMOTA



    Rolo Compressor está de luto. Inter repete o "quase" há três decadas no Campeonato Brasileiro. Nada, nada, e morre na praia do Guaíba. Desde 1979, passa ininterruptamente pelo Dia da Marmota. Com o raro talento de piorá-lo. Leia nosso desabafo:

    "O Saci bem que poderia fazer uma prótese na perna direita. Não dá mais para continuar pulando com um pé."

    11:10 PM :: Comentários: